Freqüento a praia de Capão da Canoa desde a metade do século passado. Lembro dos hotéis de madeira, do toque do sino ao meio-dia informando a hora do almoço e de pessoas tradicionais que fizeram história naquela praia.
Hoje, vou comentar a respeito de um restaurante que faz parte da minha convivência em Capão e, acredito, também, de muitos outros veranistas.
Trata-se do Restaurante Maquiné. Aquele em frente à praça do mini-golfe.
Nos anos 60, além do amplo salão, a comida era entregue em casa, em viandas - aquelas de alumínio - por um bicicleta-boy. Não podia faltar o tradicional arroz e feijão, feito com carinho pelos proprietários.
A minha geração cresceu e nossos filhos também tomaram o hábito de freqüentar o Maquiné.
Quando se entra no restaurante, a impressão é de que se está em casa. Quase todos os freqüentadores são conhecidos. É um vai-e-vem de amigos nas mesas. Por outro lado, os donos do restaurante foram se modificando, passando de pai para filho.
Conheço pessoas que não gostam de comida caseira em restaurante, mas abrem uma exceção para o Maquiné. Todos os dias tem uma sopa (a minha preferida é canja), uma mesa de saladas e pratos quentes. Mas os pontos altos são os peixes levados à mesa, o famoso bifinho com batatas fritas e o tradicional e bom feijão com arroz, servidos por antigos e novos garçons.
Esse ano, a modernidade chegou ao restaurante. Numa das paredes foi colocado um televisor. O cartão de crédito é aceito.
Feijoadas aos sábados e domingos. Enfim, novos tempo e novas mentalidades.
Hoje, o restaurante está na terceira geração. Há pouco nasceu o primeiro representante da quarta: Enrico. Em alguns anos, ele e meu neto, Renato, vão estar brincando por entre as mesas e suas mães gritando:
- Parem de correr e venham almoçar, senão o arroz e o feijão vão esfriar!
Texto retirado da coluna "Com a Palavra" do Dr. Isaac Menda, Advogado.
Diário Gaúcho-RS / Grupo RBS, quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008.
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